PRIORIDADE NO PLANTIO DE BAMBU

Amigos do bambu,
 
    Resolvi iniciar o ano falando novamente do assunto que mais me preocupa e ao qual acho que devemos dar mais atenção daqui para frente.
    A base da cadeia produtiva do bambu é o plantio e cultivo dessa rica gramínea. Sem matéria-prima em  qualidade e quantidade, a gente fica restrito ao trabalho artesanal. Não é razoável estimular os múltiplos usos e o consumo de bambu em nosso país, sem que este consumo seja sustentável. De onde vamos tirar, se não estamos preocupados em plantar e cultivar?
   A amiga Celina Llereña, arquiteta entusiasta do bambu e competente em seu ofício, tem falado constantemente sobre a necessidade de se plantar bambu em escala adequada às necessidades do nosso mercado, assim como outros colegas tem se manifestado.     Pouco se sabe, no entanto, sobre os plantios que efetivamente estão sendo realizados. Pode até ser, que alguns estejam plantando sem alarde, para não chamar atenção dos concorrentes. Mas, isso é apenas uma especulação otimista e é melhor não apostar nisso. O certo é que temos uma enorme demanda reprimida, por falta de matéria-prima, apesar de nosso país oferecer algumas condições muito favoráveis, como:
grande disponibilidade de terras cultiváveis
clima adequado para uma grande variedade de espécies de uso comercial
uma enorme floresta nativa de bambu na Amazônia (na divisa entre o Brasil, o Peru e a Bolívia).
     E por que motivos a cadeia produtiva ainda não deslancha? A meu ver faltam quatro condições básicas:
estudos de aptidão agrícola, que indiquem quais as espécies prioritárias que podem ser plantadas em cada região 
exemplos de plantios bem sucedidos das espécies prioritárias, com cálculo de custos ao longo de vários anos
agrônomos e engenheiros florestais especializados em bambu (a maioria hoje só entende de eucalipto e de pinus, com raras exceções) 
viveiros de mudas, com variedade de espécies prioritárias, distribuídos nas diversas regiões do país.
    Se conseguirmos preencher essas lacunas, cada um em sua região, acredito que seremos capazes de atrair empresários dispostos a investir no plantio e cultivo de bambu. Mas, é claro que isso não é fácil e leva tempo. Por isso mesmo precisamos começar hoje.
    Os bambuzeiros nacionais já deram uma demonstração de sua vontade política, reunindo-se com representantes do Governo Federal em 2006 e disso resultou em 2008 um edital de pesquisas lançado pelo CNPq em agosto. Em um prazo curtíssimo um grande número de projetos de pesquisa, representando todas as regiões do país, foi inscrito dentro dos rigorosos critérios do edital. Os projetos, já aprovados em dezembro, receberão em março próximo luz verde para iniciar a contratação de pesquisadores. Com isso estabelece-se a REDEBAMBU, como uma ferramenta de diálogo entre o governo e o nosso setor. É preciso, que esses projetos alcancem os seus objetivos, dando credibilidade ao setor bambuzeiro.
    Temos de convencer o governo a criar outros programas (via EMBRAPA?), direcionados especificamente para a base da cadeia produtiva, isto é, a produção de varas roliças, brotos comestíveis, produtos laminados, carvão, ácido pirolenhoso e outras matéria-primas básicas do bambu, que servem para os inúmeros usos do dia-a-dia (móveis, artesanato, construção, produtos de papel, utensílios, pisos, decoração, instrumentos musicais, etc.).
    Acho, que estamos no caminho certo. É um caminho cheio de riscos e que requer muita força de vontade e união dos bambuzeiros, mas é um caminho fadado ao sucesso, com toda certeza. Com ele garantiremos vantagens econômicas, com sustentabilidade ambiental e social para todos os envolvidos. E um dia o Brasil poderá até mesmo exportar produtos e tecnologia do bambu, porque não? Talvez até mais cedo do que muitos ousem sonhar…
    Em Santa Catarina, alguns empresários do polo produtor de móveis da região de São Bento do Sul resolveu apostar no bambu, incentivando agricultores no plantio de duas espécies prioritárias, mesmo sem nenhum estudo prévio. Os plantios estão sendo feitos nos últimos três anos. E um dos fabricantes de móveis teve o seu projeto aprovado no CNPq, tendo como parceiros pesquisadores da UFSC e a Associação Catarinense do Bambu (BambuSC), que fornecerá consultoria ao projeto.
    Abraços e um Feliz 2009 a todos.
 
Hans Kleine
BambuSC

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