Carta de Brasília -15 de setembro de 2006

Brasília, 15 de setembro de 2006

Carta de Brasília

REDEBAMBU
Estruturação da Rede de Pesquisa e Desenvolvimento do Bambu

No Seminário Nacional de Bambu, realizado entre os dias 13 e 15 de setembro de 2006, no Hotel San Marco da cidade de Brasília, houve uma congregação de diversos atores sociais representantes de instituições de ensino e pesquisa, de organizações não governamentais, do setor privado e de trabalhadores autonômos que vêm trabalhando com o bambu no Brasil, em suas diversas áreas de atuação.

O objetivo desta reunião foi avaliar e contribuir para a elaboração da proposta de criação e constituição de uma Rede Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento do Bambu (REDEBAMBU), que será constituída sob a forma de uma organização de domínio público, tarefa encomendada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia à Universidade de Brasília, com o apoio do Ministério do Meio Ambiente.

Houve concordância unânime entre os participantes que, a partir da presente data, inicia-se uma nova era para o conhecimento e aproveitamento do bambu no Brasil, através de uma forma cooperativa e organizada em todos os níveis das cadeias de valor e produção.

O Brasil é detentor da maior diversidade de bambus das Américas, além de existirem em seu território espécies introduzidas de alto potencial sócio-econômico, que já estão incorporadas à economia nacional. O uso dos recursos nativos, abundantes no território nacional, implica especial atenção às espécies das categorias de plantas raras, endêmicas e ameaçadas de extinção.

Ademais, para que o bambu contribua para o desenvolvimento sócio-econômico do país, incentivando a inclusão social e a diminuição da pobreza, deve-se ampliar e difundir o conhecimento sobre esse ativo ambiental, promover a qualificação humana em todos os níveis educacionais para seu aproveitamento e estabelecer relações de cooperação internacional com entidades e países já adiantados no uso desta matéria-prima.

Exemplos de sucesso econômico do uso do bambu podem ser vistos em países como o Equador, que implantou um programa de construção de habitação social, ou a Colômbia, onde a avançada arquitetura desenvolvida em torno do bambu é reconhecida mundialmente. Já nos países asiáticos estima-se que a cadeia produtiva do bambu envolva mais de um bilhão de postos de trabalho.

Atualmente no Brasil há necessidade de aglutinação de esforços no intuito de colocar em evidência todos os trabalhos desenvolvidos pela comunidade científica, que até o momento já alcança reconhecimento internacional em pesquisa original. Porém, por falta de organização do conhecimento no âmbito governamental e institucional sobre o bambu, o potencial desse conhecimento não está sendo devidamente explorado. Também constatou-se que os saberes tradicionais e empíricos não se beneficiam de uma interação com o conhecimento formal.

A criação e o funcionamento da REDEBAMBU vêm exatamente ao encontro das necessidades de organização, ação conjunta, relacionamento e informação dos atores e instituições que já atuam no setor do bambu no Brasil. Além de prosseguir na realização dessas funções, a REDEBAMBU será o foro ideal para a discussão e disseminação de propostas de políticas públicas que apóiem as iniciativas anteriormente mencionadas.

Propõe-se que se dê ciência desta carta a todos os ministérios, em especial àqueles que investiram e continuam investindo na estruturação da REDEBAMBU, e que promova-se sua ampla difusão para todos os setores da sociedade brasileira.

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