Uma alternativa sustentável

Olimpio Araújo Junior*

Em pleno século XXI, o assunto da moda é o “desenvolvimento sustentável”, utilizar os recursos disponíveis na natureza sem agredi-la tem sido o principal objetivo de ambientalistas e de empresas responsáveis. A busca constante por materiais alternativos, que não poluam, que sejam renováveis e duráveis, também tem sido um desfio para o homem moderno, que precisa conviver com a escassez de recursos.

É nesse contexto em que o bambu, utilizado com sucesso à milênios, volta a ser o foco das atenções no mercado mundial. Hoje já é possível morar em casas de bambu, se alimentar com suas sementes e brotos, prevenir e curar doenças, fabricar utensílios domésticos e artísticos, utilizar na agricultura como adubo e na pecuária como ração.

O bambu tem como característica principal o fato de ser renovável, podendo ser utilizado completamente, sem perdas, e adaptando-se aos mais diversos locais. Outro fator importante é sua durabilidade.

Por sua característica tubular o bambu já agrega funções e adequações inerentes à sua forma. Sendo composto basicamente de longas fibras vegetais, pode ser moldado ou desfiado para novas aplicações.

Nos países asiáticos é comum a utilização do bambu na fabricação de utensílios culinários, cestas, esculturas, móveis e em harmoniosos jardins, mas a sua utilização não é exclusividade de chineses, japoneses e indianos. No Brasil observamos o uso do bambu pelos indígenas, na confecção de prendedores de cabelo coloridos, flautas, hastes de flechas, setas e sarabatanas, facas e recipientes de taboca, aspirador de rapé de taboca e cestas de taquarinha. O homem rural brasileiro também aprendeu a multiplicidade de usos desta planta, e passou a explorar suas potencialidades fabricando utensílios de cozinha e de mobiliário com grande habilidade.

O bambu também pode ser utilizado como combustível. O carvão de bambu é de excelente qualidade, e seu rápido crescimento equilibra a relação entre o gás de carbono emitido e o gás de carbono absorvido. A “West Wind Technologies” tem um estudo sobre a este assunto, e ainda afirma que o álcool etanol pode ser retirado do bambu.

Outra utilização importante é na fabricação de papel, que tem a mesma qualidade que o papel de madeira. O bambu oferece seis vezes mais celulose que o pinheiro além de crescer muito mais rápido. Suas fibras são muito resistentes e tem qualidade igual ou superior à fibra de madeira, substituindo assim o uso tradicional e, muitas vezes, irresponsável de arvores importantes para os ecossistemas. O Brasil é o único país das Américas a ter uma indústria de papel de bambu, com uma grande plantação no Estado do Maranhão.

Com certeza ainda ouviremos muito falar em bambu, um material milenar com caracterísitcas modernas e atrentes financeiramente, ambientalmente e esteticamente falando.

* O autor é Coordenador Nacional da Rede de Informações AMBIENTE TOTAL – www.ambientetotal.cjb.net.

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