Unicamp cria reator de bambu para tratar esgoto doméstico

Segundo números do IBGE, 58% da população não tem acesso à rede coletora de esgoto e 84% dos municípios não contam com nenhum tipo de tratamento para os resíduos que são coletados. A partir desses dados, pesquisadores da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC), da Unicamp, desenvolveram um método barato e eficiente para o tratamento do esgoto doméstico.

O sistema, batizado de “reator anaeróbio com recheio de bambu” tem, segundo os responsáveis pelo estudo, potencial para ser aplicado no tratamento de esgoto de pequenas cidades. O projeto, desenvolvido na Estação de Tratamento de Esgotos Graminha, em Limeira (SP), utilizou cilindros de 1,5 metro de altura por 0,76 metro de diâmetro, recheados com 70 quilos de caule de bambu cortados em pedaços pequenos.

O sistema precisa de três meses para a criação de uma cultura microbiológica sobre os pedaços de bambu. São esses organismos presentes no esgoto que vão aderir aos caules vegetais e, depois, retirar a matéria orgânica dos resíduos domésticos.

“As bactérias e protozoários utilizam os compostos orgânicos e nutrientes contidos no esgoto, num processo de decomposição do material poluente que gera gás carbônico e água”, diz Adriano Luiz Tonetti, um dos responsáveis pela pesquisa.

No protótipo estudado, o tratamento conseguiu retirar 70% da matéria orgânica inicial, dando conta de 10 litros de esgoto por minuto. Depois do reator, os dejetos passaram por um tratamento complementar.
“O líquido pode ser aplicado sobre um filtro de areia, por exemplo, para que o sistema produza um efluente que possa ser reutilizado e que não cause danos ao ambiente. A água resultante pode ser usada como descarga sanitária, na lavagem de calçadas, em jardinagem ou em qualquer outra atividade doméstica que não inclua o consumo humano”, explicou Tonetti.

Outra vantagem da tecnologia é o emprego de poucas partes mecanizadas, permitindo economia na instalação e na manutenção, em relação a estações convencionais. “A idéia é que se consiga instalar um sistema como esse em áreas rurais que não tenham tratamento adequado para o esgoto. Qualquer um poderá montar o reator anaeróbio e ficar responsável pela manutenção exigida pelo aparelho”, diz Tonetti.

Fonte: www.tribuna.inf.br/noticia.asp?noticia=ciencia06

0 Responses to “Unicamp cria reator de bambu para tratar esgoto doméstico”


  • No Comments

Leave a Reply